Seção3.3O Plano Tangente, O Vetor Gradiente e Interpretação Geométrica
Subseção3.3.1O Plano Tangente
A existência de derivadas parciais num ponto não garante que o gráfico de uma função admita um plano tangente nesse ponto. Funções que apresentam "bicos", pontos angulosos ou descontinuidades podem não possuir plano tangente, mesmo que as derivadas parciais existam na origem ou no ponto analisado. Para que o plano represente uma aproximação válida da superfície, a função precisa ser diferenciável.
Definição3.3.1.Plano Tangente.
Seja \(f: \mathbb{R}^2 \to \mathbb{R}\) diferenciável no ponto \((x_0, y_0)\text{.}\) Chamamos de plano tangente ao gráfico de \(f\) no ponto \((x_0, y_0, f(x_0, y_0))\) o plano dado pela equação:
A função dada não tem derivadas parciais em \((0,0)\text{.}\) Portanto, ela não é diferenciável nesse ponto e seu gráfico não admite plano tangente na origem.
Subseção3.3.2O Vetor Gradiente
Podemos reescrever a equação do plano tangente utilizando a notação de vetores.
Definição3.3.4.Vetor Gradiente.
Seja \(z = f(x,y)\) uma função que admite derivadas parciais de 1ª ordem no ponto \((x_0, y_0)\text{.}\) O gradiente de \(f\) no ponto \((x_0, y_0)\text{,}\) denotado por \(\text{grad } f(x_0, y_0)\) ou \(\nabla f(x_0, y_0)\text{,}\) é o vetor cujas componentes são as derivadas parciais de 1ª ordem de \(f\) nesse ponto:
Subseção3.3.3Interpretação Geométrica do Gradiente
Uma das mais importantes propriedades do gradiente de \(f(x,y)\) é a sua relação com as curvas de nível da função.
Proposição3.3.6.Ortogonalidade às curvas de nível.
Seja \(f(x,y)\) uma função tal que, pelo ponto \(P_0(x_0, y_0)\text{,}\) passa uma curva de nível \(C_k\) de \(f\text{.}\) Se \(\text{grad } f(x_0, y_0)\) não for nulo, então ele é perpendicular à curva \(C_k\) em \((x_0, y_0)\text{,}\) isto é, ele é perpendicular à reta tangente à curva \(C_k\) no ponto \((x_0, y_0)\text{.}\)
Exemplo3.3.7.Reta perpendicular a uma curva de nível.
Encontre a equação da reta perpendicular à curva \(x^2 + y^2 = 4\) no ponto \(P(1, \sqrt{3})\text{.}\)
A curva dada é uma curva de nível da função \(f(x,y) = x^2 + y^2\) e passa pelo ponto \(P(1, \sqrt{3})\text{.}\) Pela propriedade geométrica, o vetor \(\nabla f\) é perpendicular à curva nesse ponto.
A curva dada é uma curva de nível da função \(f(x,y) = x^2 - y^2\) associada ao valor \(k = 3\text{.}\) Sabemos pela Proposição de Ortogonalidade que o gradiente \(\nabla f(2, 1)\) é um vetor normal (perpendicular) à curva de nível e, consequentemente, é perpendicular à reta tangente nesse ponto.
Primeiro, calculamos o vetor gradiente de \(f\text{:}\)
A equação da reta tangente que passa por \((x_0, y_0)\) com vetor normal \(\vec{n} = (a, b)\) é dada por \(a(x - x_0) + b(y - y_0) = 0\text{.}\) Substituindo \(\vec{n} = (4, -2)\) e \(P(2, 1)\text{:}\)
A reta normal a uma curva de nível num ponto é a reta que tem a mesma direção do vetor gradiente nesse ponto. Seja \(f(x,y) = 4x^2 + y^2\text{.}\) A elipse é a curva de nível \(f(x,y) = 8\text{.}\)
O vetor \((8, 4)\) fornece a direção da reta normal. Para facilitar, podemos usar um vetor paralelo mais simples, dividindo suas componentes por 4: \(\vec{v} = (2, 1)\text{.}\)
A equação paramétrica da reta que passa por \(P(1, 2)\) com direção \(\vec{v} = (2, 1)\) é:
\begin{equation*}
\begin{cases} x(t) = 1 + 2t \\ y(t) = 2 + t \end{cases}, \quad t \in \mathbb{R}\text{.}
\end{equation*}
Se for solicitada a equação geral, podemos isolar o parâmetro \(t\) em ambas as equações e igualá-las:
\begin{equation*}
\frac{x - 1}{2} = y - 2 \implies x - 1 = 2y - 4 \implies x - 2y = -3\text{.}
\end{equation*}
Exercícios3.3.4Exercícios
Com base nos conceitos da Seção de Planos Tangentes e Vetores Gradientes, resolva os exercícios abaixo.
Parte 1: Planos Tangentes.
Determine, se existir, o plano tangente ao gráfico das funções dadas nos pontos indicados:
1.
\(f(x,y) = \sqrt{1 - x^2 - y^2}\text{;}\) no ponto \(P_1(0, 0, 1)\text{.}\)
2.
\(f(x,y) = \sqrt{1 - x^2 - y^2}\text{;}\) no ponto \(P_2\left(\frac{1}{2}, \frac{1}{2}, \frac{\sqrt{2}}{2}\right)\text{.}\)
3.
\(f(x,y) = xy\text{;}\) nos pontos \(P_1(0,0,0)\) e \(P_2(1,1,1)\text{.}\)
4.
\(z = 2x^2 - 3y^2\text{;}\) nos pontos \(P_1(0,0,0)\) e \(P_2(1,1,-1)\text{.}\)
Parte 2: Vetor Gradiente em um Ponto.
Determine o vetor gradiente das funções dadas nos pontos indicados:
5.
\(z = x\sqrt{x^2+y^2}\text{;}\) no ponto \(P(1,1)\text{.}\)
6.
\(z = x^2y + 3xy + y^2\text{;}\) no ponto \(P(0,3)\text{.}\)
7.
\(z = \sqrt{4 - x^2 - y^2}\text{;}\) no ponto \(P(0,0)\text{.}\)
8.
\(f(u,v,w) = u^2 + v^2 - w^2 + uw\text{;}\) no ponto \(P(0,1,0)\text{.}\)
Parte 3: Propriedades Geométricas.
9.
Encontrar a equação da reta perpendicular à curva \(y = \frac{1}{x}\) nos pontos \(P_0(1,1)\) e \(P_1\left(2, \frac{1}{2}\right)\text{.}\)
10.
Determinar o plano que contém os pontos \((1,1,0)\) e \((2,1,4)\) e que seja tangente ao gráfico de \(f(x,y) = x^2 + y^2\text{.}\)